Vida em rochas a quase 11 mil metros de profundidade desafia hipótese antiga sobre o fundo do oceano

Vida em rochas a quase 11 mil metros de profundidade desafia hipótese antiga sobre o fundo do oceano

Ilustração conceitual gerada com IA: evoca o tema, não reproduz o fato documentado.

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Entre 9.000 e quase 11.000 metros de profundidade, nas fossas de Kermadec e Mariana, existe um tipo de vida que praticamente ninguém tinha catalogado: organismos fixados em substrato duro, em rochas do fundo oceânico. Usando o submersível tripulado Fendouzhe, pesquisadores encontraram 32 espécies pertencentes a seis filos entre protistas e metazoários. A maioria mede apenas milímetros, e boa parte é nova para a ciência.

O que mais chama atenção é quem domina essas comunidades. Durante anos, a hipótese era que organismos filamentosos nessas profundezas extremas dependiam de processos quimiolitoautotróficos, algo como uma química mineral sustentando a vida sem luz nem matéria orgânica externa. Os dados publicados na Science mostram outra coisa: são foraminíferos heterotróficos, ou seja, se alimentam de matéria orgânica já existente, não a produzem a partir de reações químicas do substrato. Isso muda a explicação sobre como esses seres sobrevivem onde a pressão é esmagadora e a luz solar nunca chega.

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Não foi um achado isolado de duas fossas. Imagens em grande escala do fundo do mar e amostragens adicionais sugerem que comunidades sésseis dominadas por protistas semelhantes prosperam em sete regiões hadais diferentes ao redor da Oceania. Para os autores, isso abre novas perspectivas sobre biodiversidade nas profundidades mais extremas do oceano e revela algo que passava despercebido: pontos de concentração de carbono espalhados pelas fossas hadais de todo o planeta.

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