Existe um mecanismo da bomba biológica de carbono que passou despercebido até agora. Segundo os dados publicados na Science Advances, o aumento da pressão hidrostática, aquela que cresce conforme a água fica mais profunda, induz a liberação de matéria orgânica dissolvida a partir de partículas marinhas que estão afundando rapidamente.
E aí está o ponto que chama atenção: esse processo não é um detalhe menor. De acordo com o estudo, esse vazamento de matéria orgânica contribui diretamente para a atenuação do fluxo de carbono com a profundidade. Ou seja, à medida que as partículas descem, a própria pressão da coluna de água faz parte desse carbono se dissolver no caminho, antes de alcançar as camadas mais profundas do oceano.
É um lembrete simples, mas contundente, de como a física básica da água (nesse caso, a pressão) molda um dos processos mais importantes do planeta para o ciclo do carbono. Nada de reações complexas ou organismos exóticos: a pressão sozinha já é suficiente para alterar quanto carbono chega, de fato, ao fundo do mar.




